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Contudo, não podemos nos contentar em definir o ser como o uno que é tudo e fazer dele uma espécie de objeto absoluto. Sabemos que todo objeto é correlativo de um sujeito; mas esse objeto absoluto, fora do qual nada há, não poderia ser posto por um sujeito distinto dele. Só poderia, portanto, ser posto por si mesmo e merece ser chamado de sujeito absoluto tanto quanto de objeto absoluto. É o que sugere Parmênides quando nos diz que há identidade entre τὸ εἶναι e τὸ νοεῖν. Mas como se deve entender essa identidade? Podemos começar admitindo que esse ser, inteiramente interior a si mesmo, não pode deixar subsistir em si nenhuma objetividade, e que essa interioridade, à qual nada é exterior, só pode ser uma interioridade de pensamento; de modo que, se o ser inicialmente nos havia parecido um objeto universal, era apenas na medida em que ultrapassava infinitamente a interioridade de nosso próprio pensamento. Contudo, essa ultrapassagem não podia efetuar-se pelo exterior, mas somente pelo interior. Ela exprimia a infinitude potencial de um pensamento que só atualizamos imperfeitamente. A universalidade do ser só podia, pois, receber um sentido para nós se fosse identificada com a universalidade do pensável: o que bastava para mostrar a comunidade de direito e a inadequação de fato entre o ser e a consciência que dele temos, uma vez que o pensável preenche o intervalo que separa o pensamento absoluto do pensamento que exercemos. Daí esta consequência: o ser é naturalmente assimilado a uma possibilidade universal que só se atualiza na existência manifestada. Mas a distinção entre o possível e o atual só tem sentido para nós: o ser contém em si os dois termos, ou, antes, precede sua dissociação, que é apenas o meio da participação.

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