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Mas, se nem o atributo, pela necessidade de subordiná-lo ao sujeito, nem o sujeito, pela impossibilidade de defini-lo a não ser em função do atributo, conseguem exprimir adequadamente o ser, não será porque o ser reside na cópula? De fato, a cópula, que traduz o próprio ato da afirmação, deve ser coextensiva ao ser, isto é, a toda afirmação possível. É então o “é” da cópula que constitui o vínculo entre todos os modos possíveis do ser. Todavia, essa concepção esbarra em duas objeções: a primeira é que a cópula não é essencial à proposição, e que nem toda afirmação pode ser reduzida à forma atributiva. Assim, podemos substituir a cópula seja por um verbo, seja por uma relação (como: é igual a, é a causa de, em que o é não é cópula, mas elemento da relação); contudo, não podemos ignorar que, no verbo ou na relação, está implicada uma afirmação que incide sobre o próprio ser da ação indicada pelo verbo, ou sobre o ser da relação. Lachelier chegava mesmo a dizer que o ser está presente em toda afirmação, talvez sobretudo onde ele não está expresso. Isso se explica facilmente se observarmos que o juízo de atribuição pode não passar do enunciado de uma definição conceitual, ao passo que um juízo de relação — sobretudo quando se trata de um verbo que designa uma ação — pode implicar imediatamente o próprio ser dessa relação ou dessa ação. A segunda objeção diz respeito à distinção entre o ser da cópula e o verbo que afirma o ser. Quando digo A é, a afirmação se encerra no ser de A; quando digo A é B, já não se trata do ser de A, mas da impossibilidade de separar B de A pelo pensamento. Ainda assim, o “é” da cópula define A, B e o vínculo que os une como seres de pensamento. Ora, na concepção do ser que agora procuramos formular, é preciso dizer, por um lado, que o ser do pensamento é uma forma de ser que não pode ser oposta ao ser em geral, pois, ao contrário, o determina; e, por outro lado, que as afirmações A é e A é B exprimem dois graus de determinação do ser, já que a primeira consiste apenas em dizer que A faz parte do ser, e a segunda, que, no ser, A não pode permanecer independente de B.

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