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O ser, a existência e a realidade são os três aspectos diferentes sob os quais o todo pode ser considerado em relação à participação. Em cada um desses três aspectos, o todo está presente por inteiro; só a perspectiva muda. Mas a escolha de uma ou outra dessas perspectivas permite compreender as principais direções que o pensamento filosófico tomou.

1º o emprego da palavra ser caracteriza todas as doutrinas em que a participação é considerada em sua fonte, isto é, naquela onipresença da qual ela bebe e que jamais deixa de dividir: esse termo compreende em si tanto a existência quanto a essência. A ontologia tradicional deve ser considerada uma filosofia do ser;

2º a palavra existência destaca, na participação, o ato pelo qual ela se realiza. Isso não implica desvalorizar a essência, mas reconhecer que só é possível considerá-la no ato pelo qual um indivíduo a assume. Essa filosofia, cuja inspiração não é nova, recebeu, em nossos dias, sob o nome de existencialismo, um desenvolvimento notável.

Enfim, 3º só se usa a palavra realidade para indicar que não se pretende reter da participação nada além de suas formas já efetivadas: por isso, a realidade é sempre dada; só pode ser apreendida como um fato de experiência, seja em sua forma física, seja em sua forma psicológica. Só a realidade conta, não apenas para o realismo e para o empirismo, mas também para a ciência, cujo objetivo é precisamente tomar posse dela. Essas três palavras nos revelam três atitudes diferentes do espírito diante da participação: a primeira a considera em sua fonte, a segunda em seu ato e a terceira em seu efeito.

Acontece com frequência que se tomem os termos ser, existência e realidade no mesmo sentido. Isso é legítimo em certo sentido, precisamente na medida em que, por um lado, os três se opõem a conceitos negativos — não-ser, inexistência e irrealidade — e, por outro lado, o ser é, ele próprio, o termo originário ao qual os dois outros sempre se referem. Mas a oposição desses três termos nos permite compreender o jogo da participação e, em vez de encerrar o ser em uma imobilidade estática, levá-lo, ao dar origem às duas noções de existência e de realidade, a manifestar sua fecundidade. Ao definirmos essas palavras com o máximo rigor, parece, portanto, que podemos chegar, no que diz respeito às primeiras proposições da metafísica, a um acordo entre todos os espíritos e a certezas demonstráveis.

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