Pular para o conteúdo

Com isso, tornamo-nos capazes de responder à objeção que certamente nos farão: a de comprometermos a unidade absoluta do ser, na qual sua univocidade parece nos obrigar a permanecer encerrados. Mas:

1º o ser, a existência e a realidade não são como um gênero e suas espécies; são três aspectos inseparáveis entre si, sob os quais o mesmo ser pode ser definido tão logo se introduza a participação — e para que seja possível introduzi-la;

2º se pensarmos que, com isso, introduzimos o relativo no próprio seio do ser, isto é, do absoluto, isso não é de modo algum um mau sinal. Pois o que caracteriza o absoluto não é excluir o relativo, mas, ao contrário, fundar todos os relativos, que só podem subsistir em virtude dele e que lhe são necessários não porque ele os pressuponha, mas porque ele os convoca e porque, sem eles, ele mesmo não seria o absoluto de nada. Contudo, nenhum desses relativos tem outro ser além daquele que o absoluto lhes dá: são contemporâneos do ato pelo qual o eu se põe e, ao pôr-se, põe nesse mesmo ato todos os outros relativos, inclusive, no próprio ser, os dois modos que chamamos existência e realidade.

Remover destaque