A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
— Ué!
Fabiano dirigiu-se para casa, acompanhado dos filhos. A mulher estava cansada, enfastiada da cachorra, dos filhos, da imundice. Achou que o mundo era um lugar estreito. Precisava sair, pisar campo, ver gente, negociar. Levantou-se. Arre! Tinha sido na verdade um resto de gente.
Nem parecia que tinha sido um ente humano. Era um refugo. Os mais velhos já estavam cansados. A caatinga os machucava. Iam tropeçando, cambaleando. Caminhavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se depressa de fadiga.
E andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Sinha Vitória esquecendo-se da catinga, vista de longe, como um pesadelo.
Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinha Vitória e os dois meninos.
Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem onde era. Repetia docilmente as palavras de Sinha Vitória, as palavras que Sinha Vitória murmurava porque tinha confiança nele. E andavam para o sul, metidos naquele sonho.