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O menino mais velho ia tagarelando. Não obtinha resposta e não se incomodava. De quando em quando fazia uma pergunta, esperava a explicação que não vinha e caía num assombro que durava pouco, porque vinha outra pergunta.

Sinha Vitória, agoniada, queria ver-se livre daquele incômodo. Mostrou as folhas distantes, que pareciam birutas multicores. Não tinha dúvida: eram as terras do Seu Tomás, muito longe. Que iriam fazer eles lá? Bem. Daqui a muito tempo iriam. Chegariam a uma cidade. Os meninos frequentariam escola, seriam diferentes dos pais. Isto havia de acontecer. Preciso viajar e conhecer aquilo tudo.

Fabiano, a mulher e os dois filhos iam-se amolando. Precisavam sair daquele lugares, passar uns dias afastados da fazenda. Agora estavam descansados, podiam mudar-se quando quisessem. Levavam a família, as malas de couro, os troços. Iriam para diante, sempre para diante, não voltariam nunca, e quando chegassem a uma terra distante, ficariam nela, descansariam, com o coração sem sobressaltos.

Falavam de coisas agradáveis. Sinha Vitória mencionava a cama de lastro de couro. Fabiano concordava, encolhendo os ombros. Se ela queria, estava dito. Não ia desagradar à mulher por causa de um móvel. Sinha Vitória arranjava explicações. Era feio dormir no chão, como porcos. Fabiano grunhia: — "Hum! hum!" Como porcos, dizia ela. Fabiano não se opôs: era duro viver como bichos e não falar como gente.

Concordava com a mulher. Mudar-se-iam, levariam os filhos para uma cidade qualquer e os colocariam numa escola. Ele só teria a resmungar, mas a obrigação dela era falar, conversar com Sinha Terta, fofocar com a comadre, admirar as saias das outras. Ao chegarem a uma terra civilizada, os meninos entrariam na escola. Ele, Fabiano, seria o pai deles, um pobre diabo, cabra, mas os meninos seriam diferentes. Sinha Vitória teria uma cama de lastro de couro. E os meninos dormiriam em redes.

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