Sinha Vitória meteu-se na cama de varas. Fazia mais de um ano que falava nisso ao marido. Fabiano a princípio concordara com ela, mastigando cálculos, torcendo os beiços. Trinta e cinco mil-réis. Não era caro, mas onde encontrar trinta e cinco mil-réis? Foram ao Seu Inácio, negociaram peles, e Sinha Vitória realizou um sonho que alimentava desde a infância.
Mas, assim que se estirou na cama pela primeira vez, percebeu que tinha feito má compra. O móvel era capenga, quase não se aguentava em pé, as varas por baixo gemiam. Além disso as pontas dos paus, que iam dar no chão, eram tão altas que ao deitar-se na cama Sinha Vitória ficava de joelhos no ar. Ora, uma pessoa deitada devia manter-se horizontal, tocar o chão com os pés. Uma cama que obrigasse cristão a ficar de joelhos no ar não prestava.
Sinha Vitória deu-se por lograda e não comunicou a decepção ao marido. Aliás, ele vivia agora numa agitação danada, preparando-se para ir à festa da cidade. Sinha Vitória faria o mesmo, enfarruscada, porque via nisso uma repetição da viagem que tinha ido fazer meses atrás. Fabiano fora preso ao sair da bodega. A lembrança entristeceu-a, mas era uma fraqueza não ir à festa. Se não fossem, ficariam como uns caipirascos, que não sabem divertir-se.