Em horas de maluqueira Fabiano desejava imitá-lo: dizia palavras difíceis, truncando tudo, e convencia-se de que melhorava. Tolice. Via-se perfeitamente que um sujeito como ele não tinha nascido para falar certo.
Seu Tomás da bolandeira falava bem, estragava os olhos em cima de jornais e livros, mas não sabia mandar: pedia. Esquisitice um homem remediado ser cortês. Até o povo censurava aquelas maneiras. Mas todos obedeciam a ele. Ah! Quem disse que não obedeciam?
Fabiano, você é um bicho. Estava ouvindo falar demais. Puxou a fumaça do cachimbo e cuspiriu-a. Agora Sinha Vitória vivia de mal com ele. Mulher é um bicho difícil de entender, pior que a aparição do demônio em quatro patas. A cama. Sinha Vitória vivia falando em cama. Havia mister juntar dinheiro, comprar um móvel, uma miséria qualquer, e estavam naquela matinada por causa de cama.
Tolice. Não dizia nada para não contrariá-la, mas sabia que era tolice. Cambembes podiam ter luxo? Ao chegarem àquele lugar tinham a impressão de estarem sempre de viagem. Qualquer dia o patrão os botaria fora, e eles ganhariam o mundo, sem rumo. Carregariam cama no lombo? Viviam de trouxa arrumada, dormiriam bem debaixo de um pau.