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Baleia abandonou a soleira da porta, entrou no copiar, deu duas voltas na sala, foi brincar com as panelas que secavam junto à trempe. Sinha Vitória chamou-a. Baleia correu, cheirou os pés da dona e sentou-se no calor, cochilando.

O menino ficou só no bebedouro, vestido de camisa de baeta, a cabeça chata agasalhada num guarda-pó de Fabiano. A aragem seca da manhã entrava-lhe pelas mangas compridas da camisa de baeta. Muito frio. Sinha Vitória estava longe, no copiar, uma distância impossível. Encolheu-se, apertando os braços ao corpo, e ficou de cócoras, os joelhos dobrados, embrulhado como uma trouxa.

Depois abriu os olhos, ainda meio tapados de sono, botou a mão para fora e arrancou um graveto seco de unha-de-gato. Foi quebrá-lo em pedaços miúdos, mas o espinho cravou-se na carne mole do dedo. Gritou, largou o graveto, enfiou o dedo na boca. Podia ter arrebentado o espinho, mas chorou. E num choro raivoso, sacode o braço para cima, ameaçando alguém.

O grito despertou Sinha Vitória, que se ergueu, zonza, entrou no copiar e apareceu junto ao bebedouro.

— Que há?

O menino não respondeu. Estava furioso, queria ser grande, como os adultos. Encolheu-se, fechou-se, perdeu-se numa perturbação. Sinha Vitória puxou-o para casa, deitou-o no cocho de sal e foi mexer nas panelas.

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