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Também refletimos acerca do significado figurado da ordem segundo a qual se fez tua Criação e da ordem pela qual a Escritura a relata. Vimos que tuas obras, consideradas separadamente, são boas, e todas juntas, muito boas; em teu Verbo, em teu Filho único, vimos o céu e a terra, a cabeça e o corpo da Igreja, predestinados antes de todos os tempos, quando ainda não havia nem manhã nem tarde. E desde que começaste a executar no tempo o que decidiste fazer fora do tempo, a fim de revelar o que estava escondido e de dar ordem às nossas desordens, porque nossos pecados estavam sobre nós e nos perdíamos longe de ti em trevas profundas, e teu bom Espírito pairava sobre nós, para nos socorrer no tempo oportuno, tu justificaste os ímpios; tu os separaste dos iníquos; e firmaste a autoridade de teu Livro entre os superiores, que te eram dóceis, e os inferiores, que a eles se haveriam de submeter; reuniste a sociedade dos infiéis em uma só conspiração, a fim de que aparecesse o zelo dos fiéis, dando à luz para ti obras de misericórdia e distribuindo aos pobres os bens da terra para adquirir os do céu. Acendeste então os luminares no firmamento: teus santos, que possuíam a palavra de vida e brilhavam de sublime autoridade devida a seus dons espirituais. Depois, para instruir as nações infiéis, produziste da matéria corporal os sacramentos, os milagres visíveis e as vozes das palavras, conformes ao firmamento de teu Livro, pelas quais também os fiéis seriam abençoados. Formaste depois a alma viva dos fiéis, por afeições ordenadas, com o vigor da continência. E depois renovaste à tua imagem e semelhança a mente que não está sujeita senão a ti, e que não tem necessidade de nenhuma autoridade humana que imitar; submeteste, como a mulher ao homem, a ação racional à superioridade da inteligência; e, como teus ministros são necessários ao progresso dos fiéis nesta vida, quiseste que esses mesmos fiéis lhes proporcionassem o necessário para suas necessidades temporais, boas obras cujos frutos recolherão mais tarde. Vemos todas essas coisas, e todas são muito boas, porque tu as vês em nós, tu que nos deste o Espírito, a fim de que por ele nos fosse possível vê-las e amar-te nelas.

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