Por isso, o homem, que criaste à tua imagem, não recebeu poder sobre os luminares do céu, nem sobre o próprio céu oculto, nem sobre esse dia e essa noite, que assim nomeaste antes da criação do céu, nem sobre essa reunião das águas, que é o mar. Mas recebeu poder sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu, sobre todos os animais, sobre toda a terra, e sobre tudo o que se arrasta pela superfície do solo. Ele julga e aprova o que acha bom e reprova o que acha mau, quer na celebração dos sacramentos, com que são iniciados os que tua misericórdia vai buscar em muitas águas, quer nas cerimônias em que se serve aquele peixe que, tirado do profundo, é comido pela terra piedosa, quer nas palavras e discursos sujeitos à autoridade de teu Livro, e que, semelhantes aos pássaros, voam debaixo do firmamento: interpretações, exposições, discussões, controvérsias, bênçãos, invocações a ti, que jorram da boca em sinais sonoros, para que o povo responda: “Amém!” É necessário que essas palavras sejam enunciadas fisicamente, e a razão disto está no abismo do século e na cegueira da carne que, impossibilitada de ver o pensamento, tem necessidade de sons que firam os ouvidos. Assim, embora os pássaros se multipliquem sobre a terra, é das águas que tiram sua origem. O espiritual julga ainda, aprovando o que encontra de bom e reprovando o que encontra de mau nas obras e nos costumes dos fiéis: nas esmolas, como terra frutífera; e, quanto à alma viva, nas afeições amansadas pela castidade, pelos jejuns e pelos pensamentos piedosos — coisas que se percebem pelos sentidos do corpo. Pois se diz agora que ele julga aquelas coisas que também tem o poder de corrigir.
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