Mas tua palavra, meu Deus, é a fonte da vida eterna, e não passa. Por isso ela nos proíbe que nos afastemos de ti, quando se nos diz: “Não vos conformeis com este século”; a fim de que a terra, na fonte da vida, produza uma alma viva, uma alma continente em tua palavra, por meio de teus evangelistas, imitando os imitadores de teu Cristo. É assim que se deve entender a expressão “segundo sua espécie”, porque o amigo gosta de imitar o amigo. “Sede como eu”, diz o Apóstolo, “porque também eu sou como vós.” Assim haverá na alma viva animais bons, na mansidão de suas ações. Porque nos deste este mandamento: “Realiza tuas obras com mansidão, e serás amado por todo homem.” Também os animais domésticos serão bons: nem por comerem terão abundância, nem por não comerem passarão falta. As serpentes, tornando-se boas, serão incapazes de causar danos, mas continuarão hábeis em sua cautela; não procurarão conhecer a natureza temporal, senão na medida necessária para compreender e contemplar a eternidade através das coisas criadas. Esses animais obedecem à razão quando, refreados de seu avanço mortífero, vivem e são bons.
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