Que teus ministros trabalhem agora sobre esta terra, não como nas águas da infidelidade, quando pregavam e falavam utilizando-se de milagres, de sacramentos, de palavras místicas, para que a ignorância, mãe da admiração, se tornasse atenta pelo medo desses sinais secretos. É assim, com efeito, que os filhos de Adão têm acesso à fé, esquecidos de ti enquanto se escondem de tua face e se tornam abismo. Mas que trabalhem também como na terra seca, separada dos turbilhões do abismo; e que sejam modelo para os fiéis, vivendo diante deles e incitando-os à imitação. Porque assim ouvem não só para ouvir, mas também para agir, quando dizem: “Procurai o Senhor, e vossa alma viverá”, a fim de que a terra produza uma alma viva. “Não vos conformeis com este século”, abstende-vos dele; é evitando as coisas cujo desejo lhe causa a morte que a alma vive. Abstende-vos da ferocidade monstruosa da soberba, da indolente voluptuosidade da luxúria e da ciência de falso nome, a fim de que os animais ferozes sejam mansos, os brutos, domados, e as serpentes se tornem inofensivas. Porque eles figuram alegoricamente os movimentos da alma. Mas o fasto da altivez, o deleite da sensualidade e o veneno da curiosidade são movimentos de alma morta, mas não morta a ponto de ser privada de todo movimento; é afastando-se da fonte da vida que ela morre, o século a recolhe ao passar, e ela se conforma a ele.
Remover destaque