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Também eu digo: “Onde estás, meu Deus?” Eis onde estás. Respiro um pouco em ti quando derramo minha alma sobre mim mesmo em um grito de exultação e de confissão, verdadeiro grito de festa. Mas minha alma ainda está triste, porque ela torna a cair e a ser abismo, ou melhor, porque sente que ainda é abismo. Minha fé, que acendeste à noite diante de meus pés, lhe diz: “Por que estás triste, ó minha alma, e por que me perturbas? Espera no Senhor. Sua palavra é lâmpada para teus pés. Espera, persevera, até que a noite passe, a noite, mãe dos iníquos, até que passe a ira do Senhor, ira da qual outrora fomos filhos quando éramos trevas.” Dessas trevas ainda arrastamos os restos neste corpo morto pelo pecado, até que sopre a brisa do dia e se dissipem as sombras. Espera no Senhor. Desde a manhã estarei diante dele, e contemplarei, e sempre o louvarei. Desde a manhã estarei diante dele e verei a salvação de meu rosto, meu Deus, que vivificará nossos corpos mortais por causa de seu Espírito que habita em nós, misericordiosamente levado por sobre nosso interior tenebroso e fluido. Por isso, em nossa peregrinação sobre a terra recebemos o penhor para que sejamos já luz, enquanto ainda somos salvos apenas em esperança, filhos da luz e filhos do dia, não filhos da noite nem das trevas, o que, contudo, fomos. Entre eles e nós, na incerteza em que ainda está o conhecimento humano, só tu és capaz de distinguir, porque pões nossos corações à prova e chamas à luz dia, e às trevas, noite. Quem nos distingue, senão tu? E que temos que não o tenhamos recebido de ti, nós, vasos de honra, feitos da mesma massa de que também foram feitos outros, para a ignomínia?

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