Contudo, somos luz apenas pela fé, e ainda não pela visão. Porque é na esperança que fomos salvos, e a esperança que se vê não é esperança. Ainda o abismo clama pelo abismo, mas já pela voz de tuas cataratas. O que diz: “Não pude falar-vos como a criaturas espirituais, mas como a carnais”, este não julga ainda ter atingido seu termo, e, esquecendo-se do que fica para trás, estende-se para o que está diante dele, e geme sob o peso que o esmaga, e sua alma tem sede do Deus vivo, como o cervo tem sede da água das fontes, e diz: “Quando hei de chegar?” Porque ele deseja revestir-se de sua morada, que vem do céu, e interpela o abismo inferior nestes termos: “Não vos conformeis com este século, mas reformai-vos na novidade de vossa mente, e não queirais fazer-vos crianças pela inteligência, mas sede pequeninos quanto à malícia, para que sejais perfeitos na inteligência.” E ainda: “Ó gálatas insensatos, quem vos fascinou?” Mas não é mais sua voz que fala assim, é a tua voz, porque mandaste teu Espírito do alto do céu por Aquele que subiu ao alto e abriu as cataratas de seus dons, a fim de que o ímpeto do rio alegrasse tua cidade. É por essa cidade que suspira o amigo do esposo, que já possui as primícias do Espírito, mas que ainda geme em si mesmo, porque está à espera da adoção, da redenção de seu corpo. É por ela que ele suspira, porque ele é membro da esposa; por ela ele está cheio de zelo, porque ele é o amigo do esposo; por ela, não por si mesmo, porque é pela voz de tuas cataratas, e não por sua própria voz, que ele se dirige ao outro abismo, objeto de seu zelo. Ele teme que, como a serpente enganou a Eva com sua astúcia, assim os sentidos deles se corrompam e decaiam da pureza que está em nosso esposo, teu Filho único. Que luz será aquela da visão, quando o veremos tal como ele é, e quando tiverem passado essas lágrimas que se transformaram no pão de meus dias e de minhas noites, enquanto todos os dias me perguntam: “Onde está o teu Deus?”
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