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Enfim, Senhor, tu que és Deus, e não criatura de carne e sangue, se um homem não pôde ver tudo, teu bom Espírito, que me conduzirá à terra reta, poderia ignorar alguma coisa do que tiveste a intenção de revelar por essas palavras a seus leitores vindouros, mesmo quando aquele por quem essas palavras foram pronunciadas não tivesse em mente senão um desses numerosos sentidos verdadeiros? Se assim é, seja então o sentido que ele pensou mais excelente que todos os demais. Mas a nós, Senhor, ensina-nos esse sentido, ou algum outro sentido verdadeiro que for de teu agrado; e quer nos mostres o mesmo sentido que ao homem de Deus, quer nos mostres um outro inspirado pelas mesmas palavras, alimenta nosso espírito, guarda-nos da ilusão do erro. Eis, Senhor meu Deus! Quantas páginas escrevi sobre algumas palavras, quantas páginas! Sendo assim, minhas forças e o tempo de que disponho seriam suficientes para comentar todos os teus livros? Permite-me, pois, abreviar minhas confissões no que lhes diz respeito, e adotar uma única interpretação, que me farás conhecer como verdadeira, certa e boa, mesmo que outras muitas se me apresentem, quando isso puder acontecer. Que minha confissão seja bastante fiel para que eu expresse perfeitamente bem o pensamento de teu intérprete, porque isto é o que devo intentar; e, se não o conseguir, que eu pelo menos diga o que tua verdade me quis dizer por essas palavras, como ela disse a Moisés o que lhe aprouve.

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