Presta atenção, juiz excelente, ó Deus, que és a própria verdade: ouve o que respondo a esse contraditor. É em tua presença que falo, e na presença de meus irmãos que usam legitimamente da lei, cujo fim é a caridade. Escuta e vê o que lhe digo, se é de teu agrado. Eis as palavras fraternas e de paz que lhe dirijo: “Quando nós dois vemos que tuas palavras são verdadeiras, quando ambos vemos que minhas palavras são verdadeiras, pergunto: onde o vemos? Certamente nem eu o vejo em ti, nem tu o vês em mim; mas ambos o vemos na própria Verdade imutável, que está acima de nossas mentes. Uma vez que concordamos sobre essa luz do Senhor, nosso Deus, por que disputar sobre o pensamento de nosso próximo? Nós não o podemos ver como vemos a verdade imutável. Mesmo que o próprio Moisés nos aparecesse e nos dissesse: “Eis meu pensamento”, nem assim veríamos esse pensamento, mas apenas acreditaríamos nele. Por isso, não nos inchemos de orgulho um contra o outro, indo além do que está escrito. Amemos ao Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de toda a nossa mente, e ao próximo como a nós mesmos. É segundo esses dois preceitos da caridade que Moisés pensou tudo o que pensou em seus livros. Se não o crermos, faremos de Deus um mentiroso, pensando do espírito de um conservo diversamente do que ele ensinou. Vê, pois: quando uma multidão de pensamentos igualmente verdadeiros podem ser tirados dessas palavras, que loucura é afirmar temerariamente que Moisés teve este pensamento e não aquele, ferindo com nossas disputas perniciosas a caridade, por amor da qual ele escreveu todas as palavras que procuramos explicar!”
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