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Direis que é falso o que, com voz forte, a Verdade disse ao ouvido de minha alma sobre a verdadeira eternidade do Criador: a saber, que sua substância não varia no tempo e que sua vontade se confunde com sua substância? De onde se segue que ele não quer ora isto, ora aquilo, mas quer o que sempre quer, simultaneamente e para sempre. Vontade que não se exerce por decisões sucessivas, que não se propõe ora esta, ora aquela finalidade, que não quer o que antes não queria, nem deixa de querer o que antes queria, porque semelhante vontade estaria sujeita a mudanças, e o que está sujeito a mudanças não é eterno: ora, nosso Deus é eterno. Tereis também como falsas estas palavras, murmuradas pela Verdade ao ouvido de minha alma: que a expectação das coisas futuras se torna intuição quando elas chegam, e que essa mesma intuição se torna memória quando passam? Que toda atenção que assim varia está sujeita a mudanças, e que nada do que está sujeito a mudanças é eterno? Ora, nosso Deus é eterno. E, reunindo e condensando estas verdades, vejo que meu Deus, o Deus eterno, não criou o mundo por uma vontade nova, e que sua ciência não admite nada que seja transitório.

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