E por isso o Espírito que instruiu teu servo, quando relata que criaste no princípio o céu e a terra, cala-se sobre os tempos, guarda silêncio sobre os dias. Porque o céu do céu, que fizeste no começo, é de alguma maneira uma criatura intelectual que, sem te ser coeterna, ó Trindade, participa todavia de tua eternidade. A doçura de tua felicíssima contemplação refreia fortemente sua mutabilidade, e, unida a ti sem desfalecimento, desde sua Criação, escapa às vicissitudes fugazes do tempo. Quanto a esta massa informe, a esta terra invisível, a este caos, tampouco ela foi contada nos dias, porque onde não há forma nem ordem nada vem, nada passa, e, por conseguinte, aí não há nem dias nem vicissitudes de espaços temporais.
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