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Mas de onde tirava ela a matéria de sua existência, senão de ti, por quem existem todas as coisas, seja qual for o modo de sua existência? Mas, quanto menos uma coisa se te assemelha, mais longe de ti está — e não se trata de distância no espaço. Portanto, és tu, Senhor, que não te mudas, de acordo com as circunstâncias, de natureza e de maneira de ser, mas que és sempre o mesmo, o mesmo e o mesmo, Santo, Santo, Santo, Senhor Deus Todo-Poderoso, és tu, Senhor, que no Princípio, que é de ti — em tua Sabedoria, nascida de tua substância —, fizeste algo, e do nada. Criaste o céu e a terra, e isso não com tua substância, porque nesse caso tua Criação seria igual a teu Filho único e, por conseguinte, a ti mesmo, e não seria justo que o que não procede de ti fosse igual a ti. Mas fora de ti nada existia com que pudesses fazer o céu e a terra, ó Trindade una, Unidade trina. Por isso criaste do nada o céu e a terra, essa imensidão e essa pequenez. Porque és Todo-Poderoso e bom, e só podes criar coisas boas: o grande céu e a pequena terra. Fora de ti nada havia, e desse nada fizeste o céu e a terra, tuas duas obras, uma próxima de ti, a outra próxima do nada; uma acima da qual nada existe além de ti e outra abaixo da qual não existe além do nada.

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