Mas esta terra era invisível e informe, era não sei que profundo abismo acima do qual não pairava nenhuma luz, porque não tinha nenhuma forma determinada. Daí essas palavras inspiradas por ti: “As trevas estavam sobre o abismo.” — Mas que são as trevas, senão ausência de luz? Pois onde estaria a luz, se então existisse, senão por cima, sobressaindo e iluminando? Mas porque a luz ainda não existia, que era a presença das trevas, senão a ausência da luz? As trevas, portanto, estendiam-se sobre o abismo porque a luz estava ausente, do mesmo modo que onde não há ruído reina o silêncio. E que significa: o silêncio reina, senão não há ruído? Não ensinaste, Senhor, esta verdade à alma que se confessa a ti? Não me ensinaste, Senhor, que antes de dares forma e figura a esta matéria informe, não existia nada, nem cor, nem figura, nem corpo, nem espírito? Não era um verdadeiro nada, mas algo informe, sem figura alguma.
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