Minha alma se inflama no desejo de saber o resultado deste enigma tão complicado! Senhor, meu Deus, meu bom Pai, eu te suplico por Cristo; não queiras ocultar a meu desejo problemas tão familiares e obscuros; permite que eu consiga penetrá-los e faze com que se esclareçam com a luz de tua misericórdia, ó Senhor! A quem poderia eu interrogar a este respeito? A quem confessaria minha ignorância com maior fruto do que a ti, que não podes ver com desprazer o zelo violento que me inflama por tuas Escrituras? Dá-me o que amo, porque amo, e o amor é um dom teu. Dá-me, ó Pai, esta graça, tu que verdadeiramente sabes dar coisas boas a teus filhos. Dá-me essa graça, porque tenho o propósito de conhecê-las, e meu esforço é rude até que me reveles esses mistérios. Eu te suplico, por Cristo, em nome do santo dos santos, que ninguém me perturbe nesta pesquisa. Tive fé, e por isso falo. Minha esperança, a esperança pela qual vivo, é contemplar as delícias do Senhor. Eis que tornaste velhos os meus dias, e eles passam, não sei como. E dizemos: tempo e tempo, tempos e tempos. “Quanto tempo esse homem falou?” “Quanto tempo ele gastou para fazer isso?” “Há quanto tempo não vejo isto!” “A duração desta sílaba é o dobro daquela, que é breve.” Eis o que dizemos e ouvimos, e todos nos compreendem, e nós nos compreendemos. São palavras evidentes e de uso corrente, e contudo são cheias de mistérios, e compreendê-las seria uma verdadeira descoberta.
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