Pular para o conteúdo

Os que assim falam não te compreendem ainda, ó Sabedoria de Deus, luz das inteligências! Não compreendem ainda como é criado o que é criado por ti e em ti. Empenham-se por conhecer o gosto das coisas eternas, mas seu coração ainda esvoaça entre os movimentos passados e futuros das coisas, e ainda é vão. Quem poderá deter esse coração, quem o fixará para que adquira um pouco de estabilidade, para que entreveja por um momento o esplendor da eternidade sempre estável, e a compare com os tempos que nunca permanecem, e veja que qualquer comparação é impossível? Então veria que um tempo longo só se torna longo por uma multidão de movimentos que passam, e que não podem estender-se simultaneamente; que, pelo contrário, na eternidade nada passa, mas tudo é presente, ao passo que nenhum tempo é todo presente. Veria que todo o passado é impelido pelo futuro, que todo o futuro segue o passado, que todo passado e futuro tiram sua existência e curso do eterno presente. Quem poderá deter o coração do homem, para que pare e veja como a eternidade estável, nem futura nem passada, dita os tempos futuros e passados? Acaso poderá realizar isto minha mão? Ou esta mão de minha boca, que é minha palavra, poderia realizar tal obra?

Remover destaque