Não é verdade que ainda estão cheios do erro do velho homem os que nos dizem: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se estava ocioso, se nada fazia, por que não continuou a se abster sempre de qualquer ação? Se em Deus apareceu um movimento novo, uma vontade nova de criar o que ainda não tinha criado, como falar de uma eternidade verdadeira onde nasce uma vontade que não existia antes? Porque a vontade de Deus não é uma criatura, ela precede a toda criatura: nenhuma criação seria possível se a vontade do Criador não a precedesse. A vontade de Deus, portanto, pertence à sua própria substância. Logo, se na substância de Deus nasce algo que antes não existia, não se pode mais com verdade chamá-la eterna. E se, desde toda a eternidade, Deus quis a existência da criatura, por que a criatura também não é eterna?”
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