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Por que, eu te suplico, Senhor meu Deus? Em um sentido eu o compreendo, mas não sei como declará-lo. Só sei dizer que tudo o que começa a ser e deixa de ser começa e acaba no momento em que, na razão eterna — onde nada começa nem acaba —, se conhece que devia começar ou acabar. Essa razão é teu Verbo, que é o Princípio, porque também nos fala. Assim falou-nos no Evangelho pela voz da carne, e essa palavra ressoou exteriormente aos ouvidos dos homens, a fim de que cressem nele, e o buscassem em si mesmos, e o encontrassem na eterna verdade, onde um bom mestre, um só mestre instrui todos os seus discípulos. Aí ouço tua voz, Senhor, que me diz que só nos fala realmente quem nos ensina, e que quem não nos ensina, mesmo que fale, não nos diz nada. Mas quem nos ensina, senão a verdade imutável? Porque as lições da criatura instável só têm valor para nos conduzir à verdade, que é estável. Nela nos instruímos verdadeiramente quando estamos de pé e o ouvimos, e nos alegramos de alegria por causa da voz do Esposo, restituindo-nos àquele de quem somos. Essa é a razão pela qual ele é o Princípio, porque, se ele não permanecesse, não haveria para onde voltar quando errássemos. Quando voltamos do erro, é certamente pelo conhecimento que voltamos; e, para que conheçamos, ele nos ensina, porque é o Princípio e nos fala.

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