Senhor, faze com que eu ouça e compreenda como no princípio criaste o céu e a terra. Moisés escreveu isto. Escreveu e se foi; passou daqui, de ti para ti, e não está mais diante de mim. Se estivesse aqui, detê-lo-ia, para lhe pedir que me esclarecesse em teu nome o sentido deste texto, e aplicaria meus ouvidos às palavras que brotassem de sua boca. Se me falasse em hebraico, sua voz bateria em vão em meus ouvidos, e meu espírito nada entenderia; mas se me falasse em latim, eu compreenderia suas palavras. Mas como saberia se ele dizia a verdade? E, dado que o soubesse, sabê-lo-ia por seu intermédio? Não seria em meu íntimo, no reduto interior do pensamento, que a verdade, que nem é hebraica, nem grega, nem latina, nem bárbara, me diria, sem auxílio de lábios ou de língua, sem ruído de sílabas: “Ele diz a verdade”, e eu, imediatamente, certo e confiante, diria a esse teu homem: “Dizes a verdade!” Mas não podendo interrogá-lo, é a ti, ó Verdade, que enchias seu espírito quando ele dizia essas palavras verdadeiras, é a ti, meu Deus, que dirijo minha prece: perdoa meus pecados. Concedeste a teu servo dizer essas coisas: dá também a mim compreendê-las.
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