Sou pobre e necessitado, e nada valho, senão quando, com gemidos secretos, desagrado a mim mesmo e procuro tua misericórdia, até o dia em que minhas imperfeições forem reparadas e aperfeiçoadas, experimentando a paz ignorada pelo olho soberbo! Mas as palavras que saem de nossa boca e as ações que se tornam conhecidas dos homens encerram uma tentação muito perigosa, vinda do amor ao louvor, que, para firmar certa excelência própria, mendiga e recolhe sufrágios alheios. Essa paixão me tenta ainda quando eu a censuro em mim mesmo: tenta-me pelo próprio ato da censura. Muitas vezes, por um cúmulo de vaidade, há quem se glorie até mesmo desse desprezo da vanglória: mas na verdade não é mais o desprezo da vanglória que se glorifica, porque ninguém a despreza quando se gloria de a desprezar.
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