Então, não é certo que todos desejam ser felizes, porque os que não querem alegrar-se em ti, que és a única vida feliz, não querem verdadeiramente a felicidade. Ou acaso todos a desejam, mas, como a carne combate contra o espírito, e o espírito contra a carne, eles não fazem o que querem, recaem naquilo que podem, e aí se acomodam, porque aquilo que não podem não o querem bastante energicamente para o poderem fazer? Pergunto a todos se preferem encontrar a alegria na verdade ou no erro, e ninguém hesita em declarar que preferem a verdade, como em dizer que querem ser felizes. É que a felicidade consiste na alegria que provém da verdade. E essa alegria é a alegria que nasce de ti, que és a própria Verdade, ó Deus, minha luz, saúde de meu rosto, meu Deus! Todos querem essa vida feliz, todos querem essa vida que é a única feliz, todos querem a alegria que vem da verdade. Encontrei muitos que gostam de enganar, mas ninguém que quisesse ser enganado. Onde, então, aprenderam a conhecer a felicidade, senão onde aprenderam a conhecer a verdade? Também eles amam a verdade, visto que não querem ser enganados, e, desde que amam a felicidade, que nada mais é que a alegria proveniente da verdade, eles, forçosamente, também amam a verdade; e não a amariam se sua memória não conservasse dela alguma noção. Por que, então, não se alegram com ela? Por que não são felizes? Porque se ocupam mais fortemente com outras coisas, que os fazem miseráveis, do que com aquilo que os faria felizes, e de que apenas fracamente se recordam. Há ainda um pouco de luz entre os homens: caminhem, caminhem, para que as trevas não os surpreendam.
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