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E que direi quando falo do esquecimento, e igualmente reconheço o que nomeio? Como poderia eu reconhecê-lo, se não o recordasse? Não falo do som dessa palavra, mas da realidade que ela significa. Se eu a tivesse esquecido, não seria capaz de reconhecer o significado de tal som. Por isso, quando me lembro da memória, é por ela mesma que a memória se apresenta à memória; mas quando me lembro do esquecimento, o esquecimento e a memória fazem-se presentes simultaneamente: a memória, com que me recordo, e o esquecimento, de que me recordo. Mas que é o esquecimento senão falta de memória? E como pode ele ser o objeto presente de minha lembrança, se sua presença constitui a impossibilidade de lembrar? Mas se é certo que aquilo de que nos lembramos o guardamos na memória, e se não podemos absolutamente reconhecer o que significa a palavra esquecimento, quando a ouvimos, se não nos lembrarmos do esquecimento, logo a memória é a que guarda o esquecimento. Ele lá está, pois, do contrário, nós o esqueceríamos; mas, desde que lá está, nós nos esquecemos. Não se entenderá disto que ele não está presente à memória por si mesmo, quando nos lembramos dele, mas por sua imagem? Porque, se o esquecimento estivesse presente por si mesmo, não faria com que nos lembrássemos, mas com que nos esquecêssemos. Mas, enfim, quem poderá descobrir, quem poderá compreender o modo como isto se realiza?

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