Pular para o conteúdo

Tudo isso realizo interiormente, no imenso palácio de minha memória. Ali eu tenho às minhas ordens o céu, a terra, o mar, com todas as sensações que neles pude perceber, com exceção das de que já me esqueci. Ali me encontro comigo mesmo, e me recordo de mim e de minhas ações, de seu tempo e lugar, do estado de espírito em que estava e dos sentimentos que me dominavam quando as praticava. Ali estão todas as lembranças do que aprendi ou pela crença ou pela experiência. Deste mesmo tesouro procedem as analogias formadas de acordo com minhas experiências pessoais, ou de acordo com as crenças que essas experiências me fizeram aceitar; ligo umas e outras com o passado e, à luz desses conhecimentos, medito no futuro, nas ações, nos acontecimentos, nas esperanças, e tudo como se estivesse presente. “Farei isto ou aquilo” — digo interiormente nessas vastas sinuosidades de minha alma, repletas de tantas imagens, e de imagens de tão grandes coisas. “E seguir-se-á isto ou aquilo.” “Oh! Se acontecesse isto ou aquilo!”, “Queira Deus não aconteça isto ou aquilo!”. Isto digo em meu íntimo, e enquanto o faço, tenho presentes as imagens das realidades que exprimo, saídas do mesmo tesouro da memória: sem elas, nada poderia dizer.

Remover destaque