Estando já próximo o dia em que teria de partir desta vida — que tu, Senhor, conhecias, e nós ignorávamos —, sucedeu, creio, por disposição de teus ocultos desígnios, que nos encontrássemos sós, eu e ela, apoiados a uma janela, que dava para o jardim interior da casa em que morávamos em Óstia Tiberina, de onde, separados de todos, depois das fadigas de uma longa viagem, recobrávamos forças para a viagem por mar. Ali, sozinhos, conversávamos com grande doçura, esquecendo o passado e estendidos para as coisas que estão adiante, e indagávamos juntos, na presença da Verdade, que és tu, qual seria a vida eterna dos santos, que nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem pôde conceber. Abríamos ansiosos os lábios de nosso coração aos caudais celestes de tua fonte — da fonte de vida que está junto de ti — para que, orvalhados segundo nossa capacidade, pudéssemos de algum modo formar ideia de coisa tão grande.
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