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E pensava que o motivo que me fazia adiar dia a dia o desprezo das esperanças do século e a decisão de seguir-te só a ti era não me aparecer nada de certo por onde dirigir meus passos. Veio então o dia em que me vi desnudo, às voltas com as repreensões de minha consciência: “Onde está a tua palavra? Ah! não dizias que pela incerteza da verdade não te decidias a lançar para longe o fardo de tua vaidade? Agora tens a certeza, e, não obstante, ainda te oprime esse fardo, enquanto outros, que não se consumiram tanto em procurá-la, nem meditaram dez anos, e até mais, sobre tais problemas, veem nascer asas em seus ombros mais livres.” Assim me roía interiormente, confundido por violenta e horrível vergonha, enquanto Ponticiano referia tais coisas. Finda a conversa, e resolvida a questão que motivara sua vinda, Ponticiano voltou para sua casa, e eu para mim. Que coisas não disse contra mim? Com que açoite de palavras não flagelei minha alma, a fim de obrigá-la a me seguir em meus esforços para te alcançar? Ela resistia, recusava-se, sem alegar a menor desculpa. Todos os argumentos já estavam esgotados e refutados. Nada lhe restava, senão uma angústia muda: tinha medo, como da morte, de ser desviada da corrente do hábito, na qual definhava para a morte.

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