Enfim, chegou a hora da profissão de fé. Em Roma, os que se preparam para receber tua graça pronunciam de um lugar elevado, na presença do povo fiel, palavras consagradas, aprendidas de memória. Os sacerdotes, dizia-me Simpliciano, haviam proposto a Vitorino que recitasse a profissão de fé em segredo, como era costume fazer-se com os que julgavam capazes de se perturbar pela timidez. Mas ele preferiu confessar sua salvação na presença da plebe santa, porque nenhuma salvação havia na retórica que ensinava, e, contudo, a havia ensinado publicamente. Quanto menos, pois, devia temer diante de tua mansa grei pronunciar tua palavra, ele que não havia temido as turbas de loucos em seus discursos! Assim, logo que subiu para fazer a profissão, todos unanimemente, conforme o iam conhecendo, repetiram seu nome como um murmúrio de regozijo — e quem ali não o conhecia? —, e um grito reprimido saiu da boca de todos os que com ele se alegravam: “Vitorino! Vitorino!” Ao verem-no, logo se puseram a gritar de júbilo, mas logo se calaram pelo desejo de ouvi-lo. Vitorino pronunciou sua profissão da verdadeira fé com grande firmeza, e todos queriam raptá-lo para dentro de seus corações. E realmente o fizeram: seu amor e alegria eram as mãos que o arrebatavam.
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