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Senhor, Senhor, que inclinaste os céus e desceste, que tocaste os montes e fumegaram, de que modo te insinuaste naquele coração? Segundo disse Simpliciano, Vitorino lia as Escrituras e investigava e esquadrinhava com grande curiosidade toda a literatura cristã, e dizia a Simpliciano, não em público, mas muito em segredo e familiarmente: “Fica sabendo que já sou cristão.” Ao que respondia aquele: “Não hei de acreditar, nem te contarei entre os cristãos enquanto não te vir na Igreja de Cristo.” Mas ele ria e dizia: “Por acaso são as paredes que fazem os cristãos?” E isto de que já era cristão o dizia muitas vezes, contestando-lhe Simpliciano outras tantas vezes com a mesma resposta, opondo-lhe sempre Vitorino o gracejo das paredes. Vitorino temia ofender a seus amigos, soberbos adoradores dos demônios, julgando que desde o cimo de sua babilônica dignidade, como cedros-do-Líbano ainda não abatidos pelo Senhor, haviam de cair sobre ele suas pesadas inimizades. Mas depois que hauriu forças nessas leituras maravilhosas, temendo ser renegado por Cristo diante de seus anjos, se tivesse medo de o confessar diante dos homens, pareceu-lhe cometer um grande crime por se envergonhar dos mistérios de humildade de teu Verbo, não se envergonhando do culto sacrílego de demônios soberbos, de que ele próprio se fizera soberbo imitador; envergonhou-se da vaidade, e se enrubesceu diante da verdade. De improviso, disse a Simpliciano, segundo este mesmo contava: “Vamos à Igreja: quero me tornar cristão.” Simpliciano, não cabendo em si de alegria, foi com ele. Uma vez instruído nos primeiros sacramentos da religião, não muito depois, deu seu nome para receber o batismo que regenera, para admiração de Roma e alegria da Igreja. Viram-no os soberbos, e se encheram de raiva; rangiam os dentes e se consumiam. Mas teu servo havia posto no Senhor Deus sua esperança, e não tinha mais olhos para as vaidades e as loucuras enganadoras.

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