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Meu Deus, que eu me lembre de ti em ação de graças, e confesse tuas misericórdias para comigo. Que meus ossos se penetrem de teu amor e digam: “Senhor, quem é semelhante a ti? Rompeste meus grilhões, e te oferecerei um sacrifício de louvor.” Contarei como os rompeste, e todos os que te adoram dirão quando me ouvirem: “Bendito seja o Senhor no céu e na terra! Grande e admirável é seu nome!” Tuas palavras, Senhor, tinham-se gravado em minhas entranhas, e me via cercado de ti por todas as partes. Tinha certeza de tua vida eterna, embora não a visse mais que em enigma e como em espelho. Já não tinha a menor dúvida quanto à tua substância incorruptível, nem de que toda substância procedia dela. E o que desejava não era tanto estar mais certo de ti, mas mais firme em ti. Quanto à minha vida temporal, tudo eram vacilações, e era necessário que meu coração se purificasse do velho fermento. Agradava-me o caminho, que é o próprio Salvador, mas hesitava ainda em caminhar por seus estreitos desfiladeiros. Então me inspiraste a ideia — que me pareceu excelente — de me dirigir a Simpliciano, que eu considerava um de teus bons servidores, em quem brilhava tua graça. Ouvira também dele que desde sua juventude te consagrava devotamente sua vida, e como já era ancião, parecia-me que em tão longa vida, empregada no estudo de teus caminhos, teria grande experiência e instrução, e verdadeiramente assim era. Por isso desejava confiar-lhe minhas inquietações, a fim de que me indicasse um método de vida que permitisse a um homem com minhas disposições interiores caminhar por teus caminhos.

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