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Por isso lancei-me avidamente sobre as veneráveis Escrituras inspiradas por teu Espírito, sobretudo as do Apóstolo Paulo. E se desvaneceram todas aquelas dificuldades nas quais ele me parecera contradizer-se a si mesmo, e o texto de seu discurso parecera não concordar com os testemunhos da Lei e dos Profetas. Descobri a unidade daqueles castos oráculos, e aprendi a me alegrar com tremor. Comecei a lê-los e compreendi que tudo o que lera de verdadeiro nos tratados dos neoplatônicos se encontrava aqui, mas realçado por tua graça, a fim de que o que vê não se glorie, como se não houvesse recebido, não só o que vê, mas também o poder ver. Com efeito, que tem ele que não haja recebido? E quiseste ainda, tu, que és imutável, que não só ele seja advertido para que te veja, mas também para que seja curado, a fim de que te possua; e para que o que está muito longe para te ver, tome, contudo, caminho para chegar a ti, para te ver e te possuir. Com efeito, embora o homem se deleite com a lei de Deus segundo o homem interior, que fará dessa outra lei que luta em seus membros contra a lei de seu espírito, e que o traz cativo debaixo da lei do pecado, que está em seus membros? Porque tu és justo, Senhor; nós, porém, pecamos, cometemos iniquidades; procedemos como ímpios, e tua mão se fez pesada sobre nós, e é justamente que fomos entregues ao pecador antigo, ao príncipe da morte, porque ele persuadiu nossa vontade a se tornar semelhante à sua, que não quis persistir em tua verdade. Que fará esse homem infeliz? Quem o livrará do corpo desta morte, senão tua graça, por Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem tu geraste coeterno e criaste no princípio de teus caminhos, ele, em quem o príncipe deste mundo não achou nada digno de morte, e a quem, contudo, matou, com o que foi anulada a sentença que havia contra nós? Nada disto dizem aqueles livros. Nem têm aquelas páginas esse rosto da piedade, as lágrimas da confissão, o sacrifício que te agrada, o espírito atribulado, o coração contrito e humilhado, nem a salvação de teu povo, a cidade-esposa, o penhor do Espírito Santo, o cálice de nosso resgate. Nos livros platônicos ninguém canta: “Porventura não estará minha alma sujeita a Deus? Porque dele procede minha salvação, pois é meu Deus e meu salvador, meu amparo: não vacilarei jamais”. Ninguém ali ouve esta voz: “Vinde a mim, todos vós que sofreis.” Desdenham aprender dele que é manso e humilde de coração. Porque escondeste essas coisas aos sábios e prudentes e as revelaste aos pequeninos. Uma coisa é ver, de um cume selvático, a pátria da paz, e não encontrar o caminho que conduz a ela, e fatigar-se debalde por lugares sem caminhos, entre os ataques e emboscadas dos desertores fugitivos, com seu chefe, o leão e dragão; e outra coisa pisar o caminho que conduz até lá, guarnecido pela guarda do Imperador celeste, onde não saqueiam os que desertaram da milícia do céu, pois eles o evitam como a um suplício. Esses pensamentos penetravam-me as entranhas por modos maravilhosos, quando eu lia o menor de teus Apóstolos. Considerava tuas obras, e me enchia de assombro.

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