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E, primeiramente, querendo tu mostrar-me como resistes aos soberbos e dás tua graça aos humildes, e com quanta misericórdia mostraste aos homens a senda da humildade, por se ter feito carne teu Verbo, e ter habitado entre os homens, me deparaste, por meio de um homem inchado de monstruosa soberba, alguns livros dos platônicos, traduzidos do grego para o latim. Neles — não certamente com estas palavras, mas substancialmente o mesmo — vi expresso com muitas e diversas razões que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus. Este estava desde o princípio em Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada foi feito do que foi feito. O que foi feito era vida nele, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam”. Diziam também esses livros que a alma do homem, embora dê testemunho da luz, não é a luz, mas o Verbo, Deus, é a verdadeira luz, que ilumina todo homem que vem a este mundo. E que neste mundo estava, e que o mundo é criatura sua, e que o mundo não o conheceu. Mas que ele veio para sua casa, e que os seus não o receberam, e que a quantos o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus, desde que acreditem em seu nome, não o li nesses livros.

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