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Isto eu acreditava algumas vezes mais fortemente e outras mais debilmente; mas que existias e que cuidavas do gênero humano sempre acreditei, embora ignorasse o que devia pensar de tua natureza, ou qual o caminho que nos conduz ou reconduz a ti. Por isso, persuadido de nossa impossibilidade para achar a verdade apenas pela razão, e compreendendo que para isso nos é necessária a autoridade das Sagradas Escrituras, comecei a entender que de nenhum modo terias conferido tão soberana autoridade a essas Escrituras em todo o mundo, se não quisesses que crêssemos em ti por elas e que te procurássemos por elas. E, quanto aos absurdos em que antes costumava tropeçar, e que eu ouvira explicar muitas vezes de modo aceitável, eu os atribuía à profundidade dos mistérios, parecendo-me a autoridade das Escrituras tanto mais venerável e digna da fé sacrossanta quanto, de leitura fácil para todos, ela reserva a uma interpretação mais penetrante a majestade de seu mistério. Pela clareza da linguagem, a humilde familiaridade do estilo, ela se abre a todos, e, no entanto, estimula a reflexão dos que não são levianos de coração. Recebe a todos em seu vasto seio, mas não deixa ir a ti, por caminhos estreitos, senão um pequeno número; muito mais, porém, do que se ela não estivesse nesse ponto elevado de autoridade e não atraísse as turbas ao regaço de sua santa humildade. Pensava eu nessas coisas, e me assistias; suspirava, e me ouvias; vacilava, e me governavas; andava pela via larga do século, e não me abandonavas.

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