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Apliquei então todas as forças de meu espírito para ver se podia de algum modo, com argumentos decisivos, convencer de falsidade os maniqueus. A verdade é que, se eu pudesse conceber uma substância espiritual, imediatamente todas as suas invenções se desfariam e seriam arrancadas de minha alma. Mas não podia. Contudo, considerando e comparando sempre mais o que os filósofos haviam sentido acerca deste mundo material, e de toda a natureza, que é objeto dos sentidos da carne, cada vez mais me capacitava de que eram muito mais prováveis as doutrinas destes que as dos maniqueus. Por isso, duvidando de tudo e flutuando no meio de tudo, à maneira dos acadêmicos, como os julga a opinião geral, determinei abandonar os maniqueus, julgando que durante o tempo de minha dúvida não devia permanecer em uma seita à qual eu já antepunha alguns filósofos, recusando-me, contudo, de maneira categórica, a confiar-lhes a cura das enfermidades de minha alma, por ser-lhes desconhecido o nome salutar de Cristo. Em consequência, resolvi ser catecúmeno na Igreja Católica, que me havia sido recomendada por meus pais, até que alguma claridade certa viesse dirigir meus passos.

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