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Embora sem cuidar de aprender o que dizia, interessado apenas em ouvir como dizia — era este gosto frívolo o único que ainda permanecia em mim, desesperado já de que se abrisse para o homem caminho que o levasse a ti —, infiltravam-se em meu espírito, juntamente com as palavras que me agradavam, as coisas que desprezava, por não poder separar umas das outras, e assim, ao abrir meu coração à sua eloquência, nele entrava ao mesmo tempo a verdade, mas isso gradualmente. A princípio começou a aparecer-me que seus ensinamentos podiam ser defendidos e que as afirmações da fé católica — que eu julgava desarmada contra os ataques dos maniqueus — não eram absolutamente temerárias, máxime depois de me serem explicadas uma, duas e mais vezes, as passagens obscuras do Velho Testamento, que, interpretadas por mim no sentido literal, me matavam espiritualmente. Assim, pois, declarados no sentido espiritual muitos dos lugares daqueles livros, comecei a repreender aquele meu desespero, que me levava a crer na impossibilidade de resistir aos que detestavam e zombavam da lei e dos profetas. Não obstante, não me julgava na obrigação de seguir o partido dos católicos só porque também o catolicismo podia ter defensores doutos, capazes de refutar objeções com eloquência e lógica; nem tampouco por isso me parecia que devia condenar aquilo que eu professava, pois as defesas se equivaliam. Assim, se por uma parte a fé católica não me parecia vencida, contudo ainda não me parecia vencedora.

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