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De que me aproveitava também ler e compreender por mim mesmo todos os livros que pude ter nas mãos sobre as artes chamadas liberais, sendo eu então o pior escravo de minhas más inclinações? Comprazia-me em sua leitura, mas não sabia de onde vinha quanto de verdadeiro e certo achava neles, porque tinha as costas voltadas para a luz e o rosto para os objetos iluminados, razão pela qual meu próprio rosto, com que eu via as coisas iluminadas, não era iluminado. Tu sabes, Senhor, meu Deus, como sem ajuda de mestre, entendi tudo o que li: as leis da retórica, da dialética, das dimensões das figuras, da música e dos números, porque também a vivacidade da inteligência e a agudeza do espírito são dons teus. Mas não te oferecia por eles sacrifício algum, e por isso causavam-me mais dano do que proveito, porque insisti em me apoderar de tão boa parte de minha herança, e não guardei em ti minha força, mas afastando-me de ti, parti para uma região longínqua, a fim de dissipá-la entre as rameiras de minhas paixões. De que me serviam dons tão preciosos, se não usava bem deles? Porque só compreendi que aquelas artes eram dificílimas de entender, mesmo para os estudiosos e engenhosos, quando me vi obrigado a explicá-las: entre eles, o mais destacado era o que seguia minha exposição com menos lentidão.

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