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Eu me esforçava para chegar a ti, mas era repelido por ti para que experimentasse a morte, pois resistes aos soberbos. E que maior soberba que afirmar, com incompreensível loucura, que eu era o mesmo que tu em natureza? Porque, sendo eu mutável, e reconhecendo-me tal — pois, se queria ser sábio, era para fazer-me de pior melhor —, preferia, contudo, julgar-te mutável que não ser eu o que tu és. Eis aqui por que era repelido e por que resistias à minha cerviz cheia de vento. Eu não sabia imaginar mais do que formas corporais; carne, acusava a carne; espírito errante, ainda não voltava a ti; e, caminhando, caminhava para as coisas que não são, nem em ti, nem em mim, nem no corpo; nem me eram sugeridos por tua verdade, mas imaginados por minha vaidade, de acordo com os corpos. E dizia aos pequeninos, teus fiéis, meus concidadãos, dos quais eu, sem saber, andava desterrado, dizia-lhes eu, tagarela inepto: “Por que a alma, criatura de Deus, se engana?” Mas não queria que me dissessem: “E por que Deus se engana?” E porfiava em defender que tua substância imutável era obrigada a se enganar, para não confessar que a minha, mutável, se desencaminhara espontaneamente, e que por castigo errava.

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