Mas agora, Senhor, que já se passaram essas coisas, agora que o tempo suavizou minha ferida, poderei ouvir de ti, que és a própria verdade, aproximando o ouvido de meu coração de tua boca, para que me digas por que o pranto é doce aos desgraçados? Acaso, embora presente em toda parte, lançaste para longe de ti nossa miséria, permanecendo imutável em ti, enquanto deixas que sejamos atormentados por nossas provas? E, contudo, se nossos gemidos não chegassem a teus ouvidos, não haveria esperança alguma para nós. Mas por que motivo o gemer, o chorar, o suspirar e o queixar-se são colhidos da amargura da vida como fruto doce? Será porque esperamos que nos ouças? Isso acontece quando se trata de súplicas, que sempre levam em si o desejo de chegar a ti; porém, poder-se-á dizer o mesmo da dor pela coisa perdida e do luto que então me cobria? Eu não esperava que ele revivesse, nem o pedia com minhas lágrimas; apenas me doía e chorava, porque era miserável e havia perdido minha alegria. Ou será que o pranto, que de si é amargo, se nos torna agradável quando, pelo fastio, aborrecemos os prazeres que antes nos eram gratos?
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