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Por aqueles anos, quando pela primeira vez comecei a ensinar em minha cidade natal, conheci um amigo, a quem amei excessivamente por ser meu condiscípulo, de minha idade, e por estarmos ambos na flor da adolescência. Juntos fomos criados quando crianças, juntos íamos à escola, juntos havíamos brincado. Mas nessa época não era amigo tão íntimo como o foi depois, embora também depois não o fosse tanto quanto o exige a verdadeira amizade, porque não há verdadeira amizade senão quando tu a cimentas entre os que aderem a ti, pela caridade derramada em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Contudo, aquela amizade, aquecida ao calor de estudos semelhantes, era-me sumamente grata. Consegui até afastá-lo da verdadeira fé, pouco profunda e arraigada em sua adolescência, inclinando-o para as fábulas supersticiosas e prejudiciais, razão das lágrimas de minha mãe. Comigo esse homem já errava em espírito, e minha alma não podia viver sem ele. Mas eis que, seguindo de perto no encalço de teus servos fugitivos, ó Deus das vinganças, que és ao mesmo tempo fonte de misericórdias, e nos convertes a ti por modos surpreendentes, eis que tu o arrebataste desta vida, quando eu apenas havia gozado um ano de sua amizade, mais doce para mim que todas as doçuras da vida que então levava.

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