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Lembro-me também de que, querendo participar de um certame de poesia, um arúspice mandou-me perguntar que presente lhe daria para eu sair vencedor. Mas eu, que abominava aqueles nefandos sortilégios, respondi-lhe que não queria que se matasse uma mosca para obter a vitória, mesmo que o prêmio fosse uma coroa de ouro imperecível, porque ele haveria de matar animais em seus sacrifícios, e parecia-me que, com tais honras, convidaria os demônios a votar em meu favor. Mas, confesso, Deus de meu coração, que, se repudiei semelhante maldade, não o fiz por amor da tua pureza, porque ainda não te sabia amar, eu, que sabia conceber apenas resplendores corpóreos. Porventura a alma que suspira por semelhantes fábulas não fornica longe de ti, não se apoia na falsidade e não se apascenta de ventos? Mas eis que, não querendo que se oferecessem sacrifícios aos demônios, eu mesmo me sacrificava a eles com aquela superstição. Com efeito, que significa apascentar ventos, senão apascentar os espíritos diabólicos, isto é, tornando-nos, por nossos erros, objeto de prazer e de escárnio para eles?

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