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Arrebatavam-me os espetáculos teatrais, cheios de imagens de minhas misérias e incentivos para o fogo de minha paixão. Mas por que quer o homem condoer-se quando contempla coisas tristes e trágicas, que de modo algum gostaria de padecer? Contudo, o espectador deseja sentir dor diante delas, e essa mesma dor é seu deleite. Que é isso, senão miserável loucura? Porque tanto mais se comove alguém com elas quanto menos livre se está de semelhantes afetos, embora, quando alguém padece em si mesmo, isso se costume chamar miséria, e, quando se compadece dos outros, misericórdia. Porém, que misericórdia pode haver em coisas fingidas e representadas? Porque nelas não se incita o espectador a socorrer ninguém; ele é apenas convidado a condoer-se, e tanto mais aplaude o ator daquelas imagens quanto maior é a dor que sente. De onde resulta que, se tais desgraças humanas — quer sejam tomadas das histórias antigas, quer sejam inventadas — são representadas de forma que não causem sofrimento ao espectador, este sai aborrecido e murmurando; porém, se, pelo contrário, é levado à dor, fica atento e chora de alegria.

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