Pular para o conteúdo

Olha, meu Senhor e meu Deus, e vê paciente, como costumas ver, de que modo diligente os filhos dos homens observam os pactos das letras e das sílabas recebidos dos que falaram antes, e desprezam os pactos eternos da salvação perpétua recebidos de ti; de tal modo que, se algum dos que sabem ou ensinam as regras antigas dos sons pronunciasse a palavra homo, contra as leis da gramática, sem aspirar a primeira letra, desagradaria mais aos homens do que se, contra teus preceitos, odiasse a outro homem, sendo homem. Como se o homem pudesse ter inimigo mais pernicioso que o mesmo ódio com que se irrita contra ele, ou como se pudesse causar a outro maior dano, perseguindo-o, que o que causa a seu coração odiando! E, sem dúvida, não nos é mais interior a ciência das letras do que a consciência, onde está escrito que não se faça a outrem o que não se quer sofrer. Oh! Como és misterioso, tu, que habitando silencioso nos céus, Deus, o único grande, espalhas com lei infatigável cegueiras punitivas sobre as concupiscências ilícitas! Quando o homem, aspirando à fama de eloquente, ataca seu inimigo com ódio ferocíssimo diante de um juiz homem, rodeado de grande multidão de homens, toma o máximo cuidado para que, por um lapsus linguae, não se lhe escape um inter hominibus; mas não toma cuidado algum de que, pelo furor de sua mente, tire um homem de entre os homens.

Remover destaque