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Mas que há de admirar se eu me deixava arrastar pelas vaidades e me afastava de ti, meu Deus, quando me propunham como modelos para imitar homens que, se ao contar alguma boa ação deixavam escapar algum barbarismo ou solecismo, enchiam-se de confusão ao serem repreendidos, e, pelo contrário, quando eram elogiados por referir suas desonestidades com palavras castiças e bem ordenadas, de modo eloquente e elegante, inchavam-se de vaidade? Tu vês, Senhor, essas coisas, e te calas longânime, e cheio de misericórdia e verdade. Mas te calarás para sempre? E agora tiras desse espantoso abismo a alma que te busca e tem sede de teus deleites, e que te diz de coração: “Busquei teu rosto; teu rosto, Senhor, buscarei ainda”, pois longe está de teu rosto quem anda ocupado com afetos tenebrosos, porque não é com os pés do corpo, nem percorrendo distâncias que nos aproximamos ou nos afastamos de ti. Por acaso aquele teu filho menor buscou cavalos, ou carros, ou naves, ou voou com asas visíveis, ou fez a pé o caminho, para, vivendo dissolutamente em região longínqua, dissipar o que lhe deras ao partir? Doce pai, porque lhe deras; e mais doce ainda quando ele voltou indigente. Assim, pois, viver nas paixões libidinosas é o mesmo que viver em paixões tenebrosas, é viver longe de teu rosto.

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