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Mas, ai de ti, torrente dos hábitos humanos! Quem há que te resista? Quando te secarás? Até quando arrastarás os filhos de Eva a esse mar imenso e espantoso, que apenas conseguem atravessar os que subiram ao lenho da cruz? Acaso não foi em ti que li a fábula de Júpiter que troveja e adultera? É verdade que não podia fazer ambas as coisas ao mesmo tempo, mas assim se representou para autorizar a imitação de um verdadeiro adultério, servindo-lhe de alcoviteiro um falso trovão. Contudo, qual dos mestres togados é capaz de ouvir com ouvido sóbrio um homem nascido do mesmo pó que clama e diz: “Homero imaginava estas coisas, e atribuía aos deuses os vícios humanos; porém, eu preferiria que atribuísse a nós as qualidades divinas”? Seria mais verdade dizer-se que Homero imaginou tudo isso, atribuindo qualidades divinas a homens corrompidos, para que os vícios não fossem considerados vícios, e para que qualquer um que os cometesse desse a impressão de que imitava a deuses celestes, e não a homens perdidos.

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