Confesso-me a ti, Senhor do céu e da terra, louvando-te por meus primórdios e por minha infância, de que não me lembro; e concedeste ao homem conjecturar essas coisas sobre si a partir dos outros, e crer em muitas coisas sobre si também pelo testemunho das mulheres. Pois eu existia e vivia também então, e já no fim da infância procurava sinais com que desse a conhecer aos outros o que sentia. De onde vem um ser vivo como este, senão de ti, Senhor? Acaso alguém será artífice de si mesmo? Ou se estende de outra parte alguma veia por onde o ser e o viver corram para dentro de nós, senão por tu nos fazeres, Senhor, em quem ser e viver não são coisas distintas; porque tu mesmo és o ser supremo e o viver supremo? Pois és supremo, e não mudas; nem em ti se completa o dia de hoje, e, contudo, em ti se completa, porque em ti estão também todas estas coisas: pois não teriam caminhos por onde passar se não as contivesses. E porque teus anos não acabam, teus anos são o dia de hoje: e quantos dias nossos e de nossos pais já passaram por teu dia de hoje, e dele receberam suas medidas, e de alguma maneira existiram, e outros ainda passarão, e receberão, e de alguma maneira existirão! Tu, porém, és o mesmo; e todas as coisas de amanhã e de depois, e todas as coisas de ontem e de antes, hoje as farás, hoje as fizeste. Que me importa se alguém não entender? Que também ele se alegre, dizendo: “Que é isto?” Que se alegre mesmo assim; e ame mais encontrar sem encontrar do que encontrar sem te encontrar.
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